DESCANSO PARA LOUCURA

PESQUISE NESTE BLOG

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Juazeiro do Norte - Ceará (visita em 2016)

Este ano, mais uma vez, nós visitamos a cidade de Juazeiro do Norte - CE, a cidade do Padre  Cícero Romão Batista... Como é de se esperar, trata-se de uma cidade que "respira e transpira religiosidade", fé, credo, devoção, promessa etc. Parafraseando Padre Cícero, cada casa deveria ser similar a um templo (uma igreja) e em cada quintal, uma oficina; e o povo juazeirense, bem como os que lá pousaram, souberam traduzir estas palavras em ações: em cada esquina um comércio, em cada rua diversos comércios, além de tantos e tantos ambulantes, autônomos; pousadas e hotéis, abrigos, ranchos, são aos montes, à escolha do visitante, do romeiro. Que o Padre Cícero tenha se usado da fé dos mais pobres; que os sucessores dele (a igreja, a política, o empresariado etc.) tenham se usado da mesma forma, mas sem isso, Juazeiro do Norte não teria sobrevivido em meio a aridez do Geossítio, a secura do chão e as pequenas possibilidades de sobrevivência para homens e mulheres. O que fez Juazeiro do Norte emergir de um simples lugarejo a uma das cidades que mais crescem no Nordeste foi a bravura do seu povo, que para além da mansidão que é conferida pela fé, teve a força para superar os percalços impostos pela natureza e pela competição que é natural à humanidade, sendo criativo, batalhador e visionário!
Diversas outras postagens anteriores, contam também um pouco da aventura do Nordeste(o Nordeste da Fé), rumo a Juazeiro do Norte, o Juazeiro do Padim Ciço, basta acessar o seguinte LINK.
Um mínimo do percurso, passando por Caetés: a cidade da energia eólica
Destaque de parte das montanhas, em Serra Talhada
Juazeiro do Norte e Praça Padre Cícero
Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores
Paróquia do Sagrado Coração de Jesus
Santuário São Francisco das Chagas
Colina do Horto

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Fichamento: As consequências da Modernidade, de Anthony Giddens

GIDDENS, Anthony. As consequências da Modernidade. – São Paulo: Editora UNESP, 1991.

  • Modernidade refere-se a estilo, costume de vida ou organização social que emergiram na Europa a partir do século XVII e que ulteriormente se tornaram mais ou menos mundiais em sua influência (p. 11).
  • Para Jean-François Lyotard: a pós-modernidade se refere a um deslocamento das tentativas de fundamentar a epistemologia, e da fé no progresso planejada humanamente; a perspectiva pós-moderna vê uma pluralidade de reivindicações heterogêneas de conhecimento, na qual a ciência não tem um lugar privilegiado (p. 12).
  • Estamos alcançando um período em que as consequências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes (p. 13).
  • A ideia de que a história humana é marcada por certas descontinuidades e não tem uma forma heterogênea de desenvolvimento é obviamente familiar e tem sido enfatizada em muitas versões do marxismo (p. 13/14).
  • Tanto e sua extensionalidade quanto em sua intensionalidade, as tranformações envolvidas na modernidade são mais profundas que a maioria dos tipos de mudança características dos períodos precedentes; essas mudanças ocorridas durante os últimos três ou quatro séculos – um diminuto período de tempo histórico – foram tão dramáticas e tão abrangentes em seu impacto que dispomos apenas da ajuda limitada de nosso conhecimento de períodos precedentes de transição na tentativa de interpretá-las (p. 14).
  • Desconstruir o evolucionismo histórico (as grandes narrativas) significa aceitar que a história não pode ser vista como uma unidade, ou como refletindo certos princípios unificadores de organização e transformação (p. 15).
  • A perda da crença no progresso, é claro, é um dos fatores que fundamentam a dissolução de narrativas da história (p. 19).
  • Como identificar as descontinuidades: verificar o ritmo de mudança nítido que a era da modernidade põe em movimento; o escopo dessa mudança e a natureza intrínseca das instituições modernas (p. 15/16).
  • Pós-modernismo significa: referência a estilos ou movimentos no interior da literatura, artes plásticas e arquitetura; diz respeito às reflexões da estética. Pós-modernidade se refere a algo diferente; significa a trajetória do desenvolvimento social, que está nos tirando das instituições da modernidade rumo a um novo e diferente tipo de ordem social (p. 51/52).
  • Para Giddens ainda estamos na modernidade, sendo uma modernidade radicalizada (consideração da professora).
  • Falar de pós-modernidade como suplantando a modernidade parece invocar aquilo mesmo que é (agora) declarado impossível: dar alguma coerência à história e situar nosso lugar nela (p. 53).
  • A historicidade: ela pode ser definida como um uso do passado para ajudar a moldar o presente, mas não depende de um respeito pelo passado. A historicidade significa um conhecimento sobre o passado como um meio de romper com ele – ou, ao menos, manter apenas o que pode ser justificado de uma maneira proba[1]; ela nos orienta, primeiramente, para o futuro (p. 56).
  • Não vivemos ainda num universo social pós-moderno, mas podemos ver mais do que uns poucos relances da emergência de modos de vida e formas de organização social que divergem daquelas criadas pelas instituições modernas (p. 58).
  • Essa radicalização na modernidade pode ser resumida em: a dissolução do evolucionismo, o desaparecimento da teleologia histórica, o desaparecimento da reflexidade meticulosa, constitutiva, junto com a evaporação da posição privilegiado do Ocidente (p. 58).
JaloNunes.
Copiado de: cafecomsociologia.com



[1] Correta; 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Fotos remanescentes, Assunção - Paraguai

Olá! Voltamos com mais algumas fotos interessantes sobre a fascinante capital do Paraguai (Assunção); destacamos também algumas fotos da Universidad Autónoma del Sur - UNASUR e especificamente um dos trabalhos que foi realizado pelos alunos da Faculdad de Ciencias Veterinarias, Agrarias y Ambientales, utilizando insetos.
Para ver outras postagens anteriores sobre Assunção e suas diversas atrações: museus, parques, shoppings, estádios etc. veja aqui mesmo no Blog, na etiqueta Assunção - PAR.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Resumo: Trabalho e a Profissão do Assistente Social, de Marilda Villela Iamamoto

1.    A prática como trabalho e a inserção do Assistente Social em processos de trabalho.
Um dos problemas envolvidos na questão de formular o currículo mínimo para o Assistente Social, está em elaborar uma base que constitua o Serviço Social na sociedade. Fundamentar o currículo do Assistente Social é uma tarefa que deve ser feita a partir de uma apreensão de duplo ângulo: abordar a profissão como resultante da história ou como tendo se desenvolvido a partir das forças sectárias (relativo à seita). Não devemos, esquecer, no entanto, os componentes envolvidos nesta profissão: os profissionais que trazem consigo, muitos outros conhecimentos e que devem encontrar meios de utilizá-los dentro de sua profissão. Além disso, deve se considerar a influência marcante da história da sociedade, enfim, todas as partes são formadoras do todo. 
É importantíssimo destacar que o Assistente Social trabalha com pessoas, com a sociedade, seja a partir de um âmbito público ou privado.
Mais importante do que perceber as desigualdades sociais que aí estão, é decifrar a gênese das desigualdades sociais, isto é, perceber que a natureza das desigualdades está sendo resultante de tantas outras precariedades e injustiças, quer dizer, advindas de uma série de problemas sociais, dentre eles concentração de renda, impunidade pública, falta de compromisso político e muito mais.
Querendo sair um pouco da concepção alienante de trabalho, alguns teóricos veem que é melhor definir esta profissão como uma prática na sociedade, uma “práxis social”, na tentativa de mediatizar a relação entre o exercício do Serviço Social e a prática da sociedade. Mas, a definição de trabalho ainda norteia um pouco, também, a concepção do Assistente Social, sendo este entendido como atividade fundamental do homem.
É bom salientar a importância de o profissional de Assistência Social estar sempre inserido no contexto dos debates acerca das necessidades e dos anseios do cenário social, “objeto” de trabalho dos Assistentes e tantos outros que eventualmente atuem nesta área.

2.    Rumos ético-políticos do trabalho profissional.
O maior desafio é descobrir os rumos que a profissão deverá seguir, acompanhando as mudanças da atualidade, que venham a atender à sociedade e aos mecanismos que atuam na área social. Isto é, colocar o Serviço Social na dinâmica entre a Sociedade Civil e o Estado. 
Já que apreender o contexto social é uma tarefa de apreender os sujeitos que nela vivenciam e que dela são resultados, é preciso, então, que o Assistente Social conheça de perto a realidade social para não tornar-se um alheio, alienado aos seus sujeitos de trabalho e por que não dizer de estudo? Pois, intervir na realidade social dos indivíduos requer conhecê-los e saber onde se encontra a raiz de seus problemas.
É necessário que os preceitos éticos do Código de Ética sejam encarados não somente como períodos teóricos e abstratos, isto é, conceitos idealizadores e irreais, é preciso que o encaremos como resultantes de um estudo a partir do real, do concreto e que eles servem para mediar e assessorar a prática deste profissional com a maior seriedade possível e a transparência que se requer em qualquer outra área de atuação.
Redirecionar as devidas responsabilidades do Assistente Social e a correta atuação dele significa acompanhar de perto as transformações socioeconômicas e encontrar-se centrado numa dimensão concreta, num retalho amplo da realidade, que dê total respaldo a boa atuação e consequentemente a satisfatória assistência, merecida a todos.

3.    O redirecionamento da profissão: o mercado e as condições de trabalho.
A autora mostra que pesquisas veem mapeando a quantidade de profissionais e suas respectivas áreas de atuação. Sendo que é o setor publico quem mais emprega, na sequência estadual e municipal, respectivamente, sendo que a área de saúde é quem mais emprega, principalmente depois da implantação do SUS. Mesmo havendo esse interesse pela atuação desses profissionais, há também, a forte precarização e a redução dos concursos públicos, dentre outros tantos incentivos que são assegurados por lei e não estão sendo cumpridos. 
Ganharam ênfase nas Políticas Sociais os mecanismos que vão desde a questão dos Conselhos de Saúde até a Assistência Social de Crianças, Adolescentes e Idosos. Outros meios de trabalho que deram bastante importância aos assistentes sociais, foram a criação dos Conselhos Municipais, que são diversos e abrangem uma infinidade de movimentos e mobilizações sociais.
A autora nos chama a atenção para a gestão social pública, ou gerência publica, dando total destaque ao profissionalismo qualitativo, isto é, a qualificação sobre o diploma, onde envolve vários profissionais da área de humanas, empenhados em tornar o Assistente Social um profissional como outro qualquer.
Todo o conhecimento das Políticas Públicas e suas exigências e trâmites, faz com que seja melhorado o atendimento ao cidadão e deste modo contribua, não só com o desenvolvimento humano, mas também com o econômico. E outro ponto importante, a transparência dos serviços públicos.
É chamada a nossa atenção no que diz respeito à integração entre sociedade civil e organizações não governamentais em parceria com o Estado, formulando programas e projetos para as áreas que vão desde a Habitação familiar até a Violência na família. Atualmente, também, surgem os interesses de Filantropia, onde o empresariado procura se inserir no campo da assistência social, querendo assim, se redimir de outras responsabilidades fiscais, dentre outros benefícios. Quando sabemos que em troca eles querem que seus produtos sejam vistos com bons olhos pela sociedade e deste modo, haja um maior consumo, enfim somente o lucro é mais interessante. Um exemplo “fantástico” que nos é dado é o da Fundação Abrinq, que comporta 2.500 empresas “Amigas da Criança”, assim elas investem na qualidade das crianças da mesma forma que investe na qualidade dos produtos que vão ao mercado. Dentre elas citemos: a Fundação Bradesco e a Natura. Outras trilham pela preservação do meio ecológico, é o caso da empresa Boticário, mas em todos os casos e “preocupações” se trata, inicialmente, de aplicar uma “injeção” de Marketing em seus produtos e adquirir bem mais faturamentos. No ápice, o empresariado busca mesmo é o aumento da eficiência, da eficácia e da rentabilidade de suas empresas. Deste modo, sempre sobressai o fator privado sobre o publico e continua a lógica subordinante; noutra perspectiva, há a seleção de áreas beneficiadas e de empresas que “apostam” mais.
Sem sombra de dúvidas, a área de Recursos Humanos representa, atualmente, um amplo campo de atuação do profissional da assistência. São requisitados para atuar nos programas de qualidade de vida no trabalho, passando por saúde e prevenção de acidentes do trabalhador, aí se encaminha para a questão do gerenciamento participativo e desemboca no sindicalismo e, deste modo, “satisfaz” a todos, “gregos e troianos”. E para tudo isso e muito mais, é exigido do Assistente Social bastante conhecimento, reciclagens e capacitações que atendam a necessidade da vida social, mas também a exigência dos setores contratantes.

4.    Em busca da consolidação do projeto ético-político do serviço Social na contemporaneidade.
É evidente que a profissão perdeu muito do seu caráter mais humanitário e, está hoje, envolvida na idolatria da moeda, no fetiche do consumo e no individualismo que a época pede, aliás, poucas são as coisas que não se deixam levar pelas novidades e exigências da realidade que se transforma a cada segundo. Por isso, os princípios éticos e políticos, humanos e mais solidários estão um pouco afastados desta e de tantas outras profissões que cercam a sociedade humana. A autora coloca a grande importância de remarmos contra essas marés e andarmos no contra vento, na tentativa de recuperarmos um pouco do que foi perdido: a intenção desinteressada de criar boas condições de vida, independente do “apoio” de uma ONG, de uma Empresa, ou qualquer outro organismo; é preciso que façamos e cumpramos nossas responsabilidades em nome do que pede o profissionalismo e o nosso código de ética, que valoriza, indistintamente, o ser humano, o lado mais humano da vida. 
Devemos ter em mente que a luta constante deve ser contra as formas de preconceito, a discriminação e as exclusões, buscando a integração, o respeito às diferenças e a igualdade acima de tudo. É extremamente necessário, então, que conheçamos a realidade “nua e crua”, como se diz, para que possamos agir com legitimidade e, para isso, devemos nos debruçar nas pesquisas sérias e bem embasadas em dados reais e concretos, conhecidos e vistos, não apenas estatística e números, mas necessariamente fatos e casos, para podermos efetivar a superação do que mencionamos anteriormente.
Devemos, no entanto, junto com a área política competente e a sociedade, lutar pela plenitude da cidadania e da democracia, com ênfase de respeito ao social e ao cultural em favor dos interesses coletivos, familiares, enfim que façam interagir melhor Estado e Sociedade. É muito importante estreitar os laços entre o Assistente Social é o Sujeito Humano que constitui seu fim, enquanto profissional.
Finalmente, busquemos a perfeição. Para muitos ela é impossível, mas o empenho para chegar a ela representa a vontade explicita de querer sempre buscar o melhor e, deste modo, consigamos alcançar algo bastante perto da perfeição, algo que causa satisfação, justiça e concessão de direitos.
Imagem copiada de: comissaodaverdadejf.blogspot.com
Imagem copiada de: pt.slideshare.net
REFERÊNCIA

IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: Trabalho e Formação Profissional. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2000.

SEGUIDORES