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quinta-feira, 16 de junho de 2022

Trabalho de Serviço Social: Reflexões sobre o Desemprego no Brasil e no Mundo (2007)

Obs. trabalho realizado em 2007 (será que a situação melhorou ou piorou desde então)?

Imagem copiada de Brasil de Fato.

O DESEMPREGO NO BRASIL E NO MUNDO

A era moderna gera uma expansão de desempregos sem precedentes, e que vem a ser chamado de desemprego estrutural, atingindo o mundo numa escala global. Levando o trabalhador a se submeter cada vez mais as manobras do capitalismo, de maneira que:

Além da desproletarização relativa do trabalho industrial, da incorporação do trabalho feminino, da subproletarização do trabalho, através do trabalho parcial, temporário, tem-se, como outra variante desse múltiplo quadro, um intenso processo de assalariamento dos setores médios, decorrente do setor da expansão de serviços (ANTUNES, 2006, p. 54).

Tanto é que nos últimos anos, o desemprego chega a níveis jamais alcançados no país. Enquanto no final da década de 80 havia 2 milhões de desempregados no nosso país, em 1995 eles passaram a ser 4,5 milhões e no final dos anos 90, já somavam 7,6 milhões.  Dentre os cálculos básicos para medir o desemprego, citemos: a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) IBGE: mede o desemprego aberto – leva em conta quem procurou emprego e não teve atividade remunerada na semana anterior. Pesquisa Mensal de Emprego (PME) IBGE: mede o desemprego aberto - quem procurou emprego e não teve atividade remunerada na semana anterior. Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) Sead/Dieese: mede o desemprego aberto, o desemprego oculto pelo trabalho precário (quem procurou emprego e teve atividade remunerada de natureza inconstante) e oculto pelo desalento (quem não procurou emprego mas estaria no mercado se houvesse emprego).

   Na passagem do milênio, a taxa de desemprego em grandes cidades do Brasil era: Distrito Federal: 21,6; Belo Horizonte: 17,8; Porto Alegre: 16,6 e São Paulo: 17,6.

Porém, o desemprego não é um problema só no Brasil; ele ocorre na Europa e em toda parte do mundo. Excetuando-se os Estados Unidos, onde a questão está minimizada pelo longo período de crescimento da economia durante o governo de Bill Clinton. Nas demais partes do mundo o fenômeno é visto com preocupação. Na Europa, o problema é muito grave; no Japão, atualmente observa-se a diminuição do número de vagas no mercado de trabalho; a Coréia do Sul enfrenta a mesma situação. Nos países subdesenvolvidos, a situação não é diferente.

No Brasil, é grande a preocupação dos trabalhadores, dos sindicatos, das autoridades e dos estudiosos de problemas sociais, a despeito de não possuirmos dados precisos sobre o desemprego, isto porque, enquanto o IBGE fala em taxa de 12%, a Fundação Seade/Dieese fala em 18% na região metropolitana da Grande São Paulo. A verdade é que temos, hoje, em qualquer família, alguém desempregado. O desemprego causa vários problemas: para o desempregado, para a família e para o Estado. Para o cidadão desempregado e sua família, o desemprego provoca insegurança, a indignidade, aquela sensação de inutilidade para o mundo social.

A tecnologia, que vem desde a revolução industrial na Inglaterra em 1750, traz problemas, e certamente é uma das principais causas do desemprego mundial. Uma máquina substitui o trabalho de 10, 20, 40 ou mais pessoas. Já foi dito que a revolução industrial provocou insatisfação dos trabalhadores, mas pouco desemprego, porquanto, na época, as vagas fechadas numa empresa eram supridas pela abertura de outras empresas. Além disso, houve a redução da jornada de trabalho para 8 horas e a semana de 5 dias. Todavia, hoje, com a globalização, a informatização, as novas tecnologias, nós temos efetivamente um problema de desemprego estrutural (gerando desproletarização, subproletarização e trabalho informal). Estão desaparecendo muitas profissões e atividades profissionais, porque têm o robô fazendo o trabalho de muitas pessoas. Isso realmente gera desemprego e tanto o governo quanto a sociedade tem que contribuir para encontrar uma solução.

Talvez a solução momentânea seja a re-qualificação profissional. Os profissionais que perdem seus postos de trabalho devem passar por treinamentos e reciclagens. Só assim poderão encontrar outra atividade e assumir uma nova vaga no concorrido mercado de trabalho moderno. O desempregado não pode ficar esperando nova oportunidade para ocupar a mesma vaga que ocupava antes da demissão, mesmo porque aquela vaga, ou melhor, aquela função pode deixar de existir. Aquele que deseja voltar ao mercado de trabalho deve se reciclar, buscando uma colocação em outra área ou ramo de atividade; para isso, ele deve estar preparado.

O governo, através dos Fundos de Amparo ao Trabalhador, tem oferecido recursos para treinamentos e reciclagens aos desempregados. Essa iniciativa ajuda, pois o trabalhador, sem essa reciclagem não vai conseguir uma recolocação no mercado de trabalho, mas não resolve o problema.

De modo que a questão do emprego é, hoje, a principal preocupação do movimento sindical, do Estado e, principalmente, da família, a que mais sofre com a falta de trabalho e queda da renda, agravando todos os problemas sociais. Sendo assim, a reforma sindical e trabalhista tem que ter como prioridade a procura de caminhos para impor aos governantes a execução de programas de desenvolvimento que resultem em geração de empregos.

Porém, essa não é a única saída para abrir postos de trabalho no mercado. Haja vista o que se passa no setor automobilístico, por exemplo, onde investimentos maciços e duplicação da capacidade produtiva não resultaram em geração de novos empregos. Ao contrário, com os investimentos feitos as empresas puseram em prática um amplo programa de modernização e automação, cortando milhares de postos de trabalho. Para se ter uma ideia do estrago ocorrido neste setor, basta dizer que, na década de 80 do século passado, para uma capacidade de produção de um milhão e quinhentos mil veículos, as montadoras empregavam 140 mil empregados. Hoje, para uma capacidade de produção de três milhões de veículos, as montadoras empregam apenas 90 mil trabalhadores. Só este exemplo mostra que, além de investimentos e programas de crescimento econômico, são necessárias outras medidas para gerar mais empregos. Hoje temos linhas completas, sistemas produtivos completos, operados por robôs. Os processos tecnológicos empregados na atualidade e mais a presença crescente da mulher no mercado de trabalho exigem uma redução drástica da jornada de trabalho, para dar emprego às centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro que precisam trabalhar.

Mas, a redução da jornada não pode ser um ato isolado e unilateral de um só país ou dois. É preciso estabelecer uma nova jornada de trabalho de caráter universal, algo como uma resolução da Organização das Nações Unidas para ser cumprida por todos os países e para ser fiscalizada a sua aplicação por um órgão tipo OIT, a Organização Internacional do Trabalho, para que não haja um desequilíbrio nos custos de produção e quebra da equidade competitiva entre os países no mercado mundial. E, também, para que não haja redução de salários. 

Brasil é o terceiro no ranking mundial do desemprego

O Brasil é o terceiro país do mundo em número de desempregados. É o que mostra um levantamento divulgado recentemente pelo economista Márcio Pochmann, da Unicamp, com dados oficiais de 141 países. Com 7,7 milhões de pessoas sem trabalho em 1999, segundo o IBGE, o Brasil só fica atrás da Índia, com quase 40 milhões de desocupados, e da Rússia, com 9,1 milhões.

ALAGOAS É O ESTADO ONDE O DESEMPREGO MENOS CRESCEU

Os jovens do Piauí foram os que mais sofreram com os efeitos do desemprego no país nos últimos dez anos. Entre 1995 e 2005, o desemprego para quem tinha entre 15 e 24 anos avançou 300% nesse Estado, enquanto a ocupação cresceu apenas 7,5%. O resultado menos negativo foi verificado em Alagoas, onde o desemprego cresceu 8,4%. Mas a quantidade de novos postos de trabalho ficou praticamente estável, com alta de 0,2%.

As duas regiões que apresentaram comportamento diferente da média brasileira, no que diz respeito à educação e emprego, foram Norte e Nordeste, onde a expansão no número de jovens no mercado de trabalhou superou a taxa de matrícula.

Já o Sudeste liderou o crescimento do desemprego juvenil, com uma variação de 120,3% entre 1995 e 2005, bem acima do resultado do Brasil, que variou 107,2% neste período. Por outro lado, o Centro-Oeste e o Nordeste, mesmo tendo liderado o aumento dos jovens matriculados, com variações de 89,5%, 83,8%, tiveram fortes altas na quantidade de desempregados no período: 116,4% e 105,2%.
Como cada vez mais jovens estão à procura de um emprego e passam a fazer do mercado de trabalho, sejam como ocupados ou como desocupados, o estudo mostra que eles estão mais voltados ao emprego do que à educação. Em 2005, enquanto um em cada dois jovens estudava, o levantamento constatou que dois em cada três jovens são ativos nesse mercado.

Apesar do desemprego juvenil ser visto como algo negativo, Pochmann avalia que quanto mais tarde o jovem ingressa no mercado de trabalho, maiores são as chances de ele se dar bem. "Se ele estudar mais ao invés de trabalhar, poderá entrar mais tarde no mercado, porém, em um cargo melhor."

AL tem a maior variação de desemprego do País

Alagoas registrou déficit de 27,9 mil empregos no primeiro semestre deste ano. É o que informa o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Nos seis primeiros meses do ano, foram realizadas 33.769 contratações no mercado formal de trabalho, contra 61.763 demissões, gerando um saldo negativo formado por exatos 27.994 trabalhadores sem emprego. Para o economista do Ipea, Paulo Tafner, a geração de empregos formais não apenas em Alagoas, mas em todo País, depende mais da flexibilização das leis trabalhistas do que do crescimento econômico. Segundo ele, a medida traria muito mais impacto ao mercado de trabalho do que a promoção do crescimento como crê o senso comum.

Certamente em Palmeira dos Índios não é diferente, cidade de economia precária, que amarga a dura realidade de não poder ofertar emprego aos seus “filhos” e, deste modo, pára no tempo, como se a permanência na incerteza fosse o melhor negócio para quem quer crescer. É comum, portanto, o êxodo de seu povo para regiões e cidades mais desenvolvidas e a insatisfação de muitos habitantes que nela teimam em deixar fixas suas raízes. Para alguns é o melhor lugar para se viver, a melhor cidade para constituir família, mas para a grande massa que emerge, seca de progresso e cheia de vontade, não há raiz, por mais fecunda que seja, que sustente, será esta, portanto, arrancada em nome do desenvolvimento pessoal e familiar e assim adentrará noutros territórios mais fecundos e produtivos.

REFERÊNCIAS 

ALMANAQUE ABRIL. São Paulo, 2002.

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. – 11. ed. – São Paulo: Cortez; Campinas, SP: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 2006.

Disponível em: http://www.coisasdemaceio.com.br. Acesso em 06-07-07.

Disponível em: http://www.coisasdemaceio.com.br/article.php?storyid=237. Acesso em 06-07-07.

Disponível em: http://www.google.com.br. Acesso em 05-07-07.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Resumo: O jovem e o contexto familiar, de Silvia Losacco

Imagem copiada de Jornal de Brasília.

LOSACCO, Silvia. O jovem e o contexto familiar.

 A autora, Losacco, por ter também uma formação em Psicologia, inicia seu raciocínio mostrando que somente este ramo de conhecimento não é capaz de suprir todas as inquietações postas pela sociedade moderna, sendo necessário a construção de saberes de forma transdisciplinar e intermediados por teoria e prática.

São contemplados dois eixos nesta temática: a concepção atual sobre jovens e suas famílias e como estão, de modo geral, estabelecidos os laços entre jovens e sociedade como um todo; também quais políticas têm sido direcionadas a este segmento.

A família, mesmo aquelas que se encontram desestruturadas são sim consideradas um “porto seguro” para os jovens e as crianças. Resta aos profissionais que se envolvem nas questões de família, “desenvolver uma capacidade para aceitar a família tal como ela se constitui em face dos desafios que enfrentou, em lugar de procurar nela o modelo que temos como representação” (p. 65).

Está exposta, no texto, a importância de se conhecer a dimensão sócio-histórica do jovem, seus limites mínimos e máximos, presentes de forma específica, dentro de cada conjuntura. E assim para definir a juventude presente numa determinada sociedade é preciso que se observe a faixa de idade, entendendo tal segmento como um grupo social. Ainda de acordo com o texto, “o jovem necessita de parceiros que o ajudem a construir formas adequadas de superação das incertezas e dos conflitos advindos das novas experiências corporais e relacionais” (p. 67).

A puberdade representa uma transição muito importante, levando o indivíduo a inaugurar sua juventude, com a incidência de grandes transformações corporais e psíquicas, desencadeando uma tão falada “crise”, mas esta poderá ser menos preocupante para a família, se o jovem se encontrar num ambiente sócio-econômico e familiar adequados e preparados para suprir suas demandas.

Podem ocorrer no ambiente familiar sérios conflitos, como que choques de geração, pois os pais precisam se reconfigurar, para melhor se relacionarem com seus filhos e estes últimos nem sempre refletem sobre suas manifestações.

Legalmente falando, jovem é o indivíduo que se encontre entre 12 e 18 anos de idade. Socialmente falando, essa juventude (em termos de idade) ganhou um prolongamento, sendo dos 16 aos 24 anos, isso é reflexo de uma nova configuração no campo educacional e no mundo do trabalho.

O crescimento da população de jovens, o difícil acesso à educação e a tantos outros serviços básicos, atrelados a incapacidade estatal e do mercado, na oferta de empregos, levam os jovens a uma latente exclusão e a uma extrema vulnerabilidade social, principalmente quando esses pertencem às famílias de baixa renda.

Quanto às políticas sociais voltadas para este segmento, a autora diz que elas “empurram jovens pobres para comportamentos socialmente excludentes; quanto mais excluídos, menos as políticas atuais atingem mudanças de comportamentos necessárias para sua inclusão social” (p. 73).

Quanto aos profissionais que estão envolvidos com este segmento, é preciso que eles “conheçam criticamente as políticas sociais existentes, bem como as dificuldades resultantes do distanciamento entre os direitos conquistados e a realidade do atendimento oferecido. [...] Devem ser conhecimentos técnicos e instrumentais” (p. 75).

É condição essencial para poder colaborar com este grupo social (os jovens), considerá-los como sujeitos individuais, como sujeitos coletivos e como sujeitos políticos; estando estas três esferas profundamente interligadas, uma vez que tratamos das relações da sociedade, mesmo porque é este todo orgânico e sistêmico da sociedade quem influencia diretamente a vida de cada indivíduo, assim como do grupo social.

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