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sábado, 17 de julho de 2021

Comentários sobre o filme DAENS – um grito de justiça


Comentários:

A história se passa no final do século XIX, na cidade de Aalst, na Bélgica, quando os trabalhadores assalariados iniciavam suas lutas por melhores condições de trabalho. Naquele período as leis eram precárias e quem detinha grande influência sobre o Estado era a Igreja.

O padre Daens, quando chegou à cidade começou a querer mudar aquela dura realidade, aquela triste história, pois ele viu seu senso de revolução ferver quando se deparou com aquela precária situação dos trabalhadores. Uma das formas de promover ajuda foi encontrada na política e daí ele se candidatou a deputado.

O filme retrata também a passagem do Estado Liberal para o estado social que garante os direitos básicos e essenciais da população.

Naquele período, também, o movimento socialista começou a influenciar o povo para a luta de classes, pelos seus direitos, especialmente através do jornalismo escrito. O Socialismo visava a propriedade coletiva dos meios de produção e a organização de uma sociedade de classes.

O padre buscou ajuda da Igreja, através do Papa Leão XIII, mas este se recusou a ajudar, pois a Igreja temia que o povo lutasse desperdiçadamente, ao tempo que temia também o fortalecimento do socialismo, o que diminuiria o enorme poder da Igreja. Por isso ela aliou-se aos principais representantes industriais e a burguesia em geral para não cederem apoio e deste modo o padre Daens acabou por lutar sem nenhum apoio institucional.

Finalmente é importante comentar o quanto os trabalhadores eram escravizados, principalmente mulheres e crianças. Para se ter uma ideia, a cargo horária era de 14 a 16 horas por dia e os salários eram reduzidos baseando-se na força física (isso para mulheres e crianças). Quanto às mulheres, estas constituíam a maior parte da massa trabalhadora, enquanto as crianças começavam a trabalhar aos seis anos de idade. Ao tempo em que os trabalhadores se alcoolizavam por desespero e a máquina desqualificava o trabalho humano, formando mais desempregados e/ou reduzindo os salários. A Igreja e o Estado cuidavam para que a força militar protegesse as empresas e o poder enorme que reinava.

1993/ 2h 18min/ Biografia, Drama
Direção: Stijn Coninx
Roteiro: Stijn Coninx
Elenco: Jan Decleir, Gérard Desarthe, Antje De Boeck
Título original: Daens

terça-feira, 28 de julho de 2015

Símbolos da Profissão do Serviço Social


No que se refere ao Anel de Formatura, é composto pelos seguintes elementos: uma Pedra de cor Verde e de origem brasileira, extremamente singela, que simboliza a esperança e a sinceridade. Logo, por sua simplicidade, não seduz ninguém a querer falsificá-la.

Imagem retirada de:
evenit.com.br
As transformações sofridas pelos símbolos, tiveram importante função de adequá-los à realidade profissional. A pedra “necessita” ser, de fato verde e representar esperança, assim como sinceridade, haja vista a dura tarefa do Assistente Social, ao lidar com problemas seculares, onde as medidas tomadas para saná-lo são, na maioria das vezes, paliativas e de cunho assistencialista.

No mesmo Anel pode ser encontrada a representação da Estrela dos Reis Magos, que nos reporta para o ato desses antigos anciãos, que se desprenderam de seus bens e os ofereceram ao Menino-Deus, cujo caminho for seguido, leva à Luz. Representa ainda o espírito fraterno universal e o sacrifício pelo bem dos demais.

A profissão requer, sem dúvida, esta doação ao lidar com os problemas dos usuários. A dificuldade é que, estamos tratando de símbolos e é realmente assim que eles funcionam: trazem uma recomendação a ser seguida e que guiará o profissional, mas na maioria dos casos, a realidade impositiva e coercitiva, induz o profissional a agir de maneira distorcida e contrária, uma vez que a hegemonia capitalista e as relações sociais, de hierarquização e monopólio de capital e propriedade, principalmente, levam-no a atuar, tendo que pôr em prática as ideologias dominantes e se esquecendo desse principio fraterno e de bem comum para todos.
Porém, o símbolo maior é a Tocha com a Balança: que exprimem o caráter de justiça, especialmente a justiça entendida sob o crivo da moral. Exprime também que, a partir do amor e da vontade tudo pode ser removido.
Imagem copiada de: educap.org.br
De fato deve ter - o profissional - a capacidade de lidar com os usuários de maneira humana, tendo em vista que está se tratando de relações sociais, de indivíduos ou de grupos, de maneira que um diagnóstico mecanicista pode levar a agravar a situação em análise. Também deve estar a par dos mecanismos éticos e morais que norteiam a conjuntura social, onde este profissional está inserido, isto é, atuando no seu campo de trabalho, podendo assim mediar seus usuários a buscarem a subsistência necessária, assim como o acesso aos direitos, sem ferir a moral ou sem nela estar inserido.
JaloNunes.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Comentário 1 - Cap. 3 "Um Teto Todo Seu", de Virgínia Woolf



COMENTANDO: CAPÍTULO TRÊS DE UM TETO TODO SEU

A autora, Woolf (2004), inicia enfatizando que “as mulheres são mais pobres do que os homens” (p. 48), por causa de uns ou de outros motivos; percebemos que, quando neste seu pensamento ela busca expressar (imediatamente) aquilo que Bourdieu (1999) chama de cultura androcêntrica, uma espécie de maneira social que se impõe sobre os indivíduos, julgando-os e separando-os mediante uma divisão sexual do trabalho de produção e de reprodução biológica, concedendo aos homens primazia seja nas questões de capacidades práticas ou intelectuais.
Disponível em: doidivana.wordpress.com
A autora procura fazer uma análise histórica da mulher, especialmente na Inglaterra e a partir do século XVI e observa que, em termos de literatura e das artes como um todo, a mulher esteve sempre aquém dessas possibilidades e que, por mais que algumas personagens tenham se destacado e que a literatura tenha reservado partes importantes dedicando-se a descrever os feitos dessas singulares mulheres (tais como Cleópatra, Antígona, Rosalinda etc.), isso não passou de um mero capítulo, porque na realidade elas eram surradas e trancafiadas, como animais sem alma, indignas de pensar suas vidas e de estabelecer projetos e critérios; pior,  pensar intelectualmente e produzir ou escrever artisticamente, pois eram afastadas do mundo da aprendizagem e da possibilidade de emancipação, sendo apenas uma mera propriedade do marido. E assim, estando envolvidas por uma violência simbólica, tal como escreveu Bourdieu (1999), seja esta exercida pelo pai, pelo irmão e precocemente pelo esposo, as mulheres acabam por aplicar a toda realidade que lhe envolve as relações de poder em que estão inseridas, reproduzindo e justificando as estruturas de dominação, uma vez que são moldadas e “orientadas” para tal ato, seja pela ação dos homens, das instituições, das famílias, das Igrejas, das Escolas, do Estado, etc.
Situações de afastamento das mulheres das ações mais intelectuais e artísticas perduraram, então, até os idos do século XVIII, de acordo com Woolf, porque não se encontram em meio aos inúmeros escritos de cunho masculino as contribuições femininas, concebidas com o mesmo valor atribuído as obras do gênero masculino; e mesmo que se faça um trabalho nas consciências individuais das mulheres, tendência exercida por movimentos sociais, por exemplo, não implica numa mudança de postura da sociedade em relação aos gêneros e o consequente privilégio de um sobre o outro, porque, de acordo com Bourdieu (1999) a violência simbólica é exercida de tal maneira que se torna algo natural (é normal que as capacidades humanas sejam divididas, sendo umas para homens outras menos importantes para mulheres), pois essa violência simbólica não é exercida “na lógica pura das consciências cognoscentes, mas através dos esquemas de percepção, de avaliação e de ação que são constitutivos dos habitus e que fundamentam, aquém das decisões e das consciências e dos controles da vontade, uma relação de conhecimento profundamente obscura a ela mesma” (p. 49/50), isto é, há uma lógica de dominação espontânea e extorquida mantida pela ordem social.
A autora, por sua vez, chega a dizer que uma mulher talentosa no século XVI, similarmente como foi Shakespeare, estaria condenada a viver da forma mais terrível possível, chegando à loucura e ao suicídio, pois não suportaria a contrariedade, a tortura e a dilaceração de suas potencialidades, somente por causa de sua condição de gênero feminino. Restavam as mulheres, então, a figura do masculino para lhe garantir a dignidade humana e de capacidades ou esconder-se atrás do anonimato, caso quisesse enveredar pelo caminho da produção artístico-literária, por exemplo; esse pensamento masculino elitizado e dominante que não consegue esperar nada produzido intelectualmente, advindo das mulheres, perdura – de acordo com Woolf (2004) até o século XIX, distanciado a mulher não só das questões artísticas, mas também das questões políticas, porque a sociedade ainda não é democrática suficientemente para acolher todo e qualquer exposto sistematizado de produção, independentemente de qual segmento social advém; torna-se necessário, portanto, conforme Bourdieu (1999) “a transformação radical das condições sociais de produção das tendências que levam os dominados a adotar, sobre os dominantes e sobre si mesmos, o próprio ponto de vista dos dominantes (...) num ato que se efetiva aquém das consciências e da vontade” (p. 54).

JaloNunes.
Vigínia Woolf. Imagem extraída de: www.themakeupgallery.info

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BOURDIEU, Pierre. Uma Imagem Ampliada. In.: A dominação masculina. (tradução: Maria Helena Kühner) – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. Capítulo 1.


WOOLF, Virgínia. Capítulo Três. In: Um teto todo seu. (tradução: Vera Ribeiro) – 2. ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

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