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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Castelo Armorial de São José do Belmonte/PE

“A atual cidade de São José do Belmonte teve origem na Fazenda Maniçoba onde, em 1836, o seu proprietário, mandou erguer uma capela a São José como pagamento de uma promessa para que uma epidemia de cólera morbus que atingiu o sertão, não afetasse aquela propriedade. Assim, surgiu a povoação de Belmonte.  É famosa por ter a cavalgada ‘A Pedra do Reino’ realizada em maio de todo ano e a cavalhada ‘Zeca Miron’ também realizada em maio de todo ano”. 
“Tornou-se distrito a 24 de abril de 1873, a foi elevada à categoria de vila a 26 de junho de 1893 - data de criação do município, desmembrado do município de Vila Bela, hoje Serra Talhada. A 31 de dezembro de 1943, Belmonte teve o nome mudado para Maniçoba e, a 7 de dezembro de 1953 passou à denominação de São José do Belmonte[1]”.
“A composição de duas grandes rochas (uma com 30 e outra com 33 metros de altura), na Serra do Catolé, Município de São José do Belmonte, é o destino final da cavalgada que acontece todos os anos e que relembra o movimento sebastianista liderado por João Antônio dos Santos, em 1838. No local, o auto proclamado Rei João Antônio formou uma comunidade de fiéis seguidores, prometendo um reino de justiça, liberdade e prosperidade, no qual os pobres ficariam ricos e até os pretos renasceriam brancos. Em 1971, o escritor Ariano Suassuna publicou o livro ‘O Romance da Pedra do Reino’, resgatando e dando notoriedade ao episódio, que virou minissérie da Rede Globo. Situado à Praça Pires Ribeiro, 34, no Centro de São José do Belmonte, fica o Memorial da Pedra do Reino, expondo quadros, livros, documentos, fotos e fatos que se relacionam com o movimento[2]”.

Outra atração no Município, a margem da rodovia, é o Castelo Armorial.
"Baseado no Movimento Armorial criado em 1970, por um grupo de artistas e intelectuais pernambucanos, liderados pelo escritor paraibano Ariano Suassuna. O idealizador e construtor do castelo é um empresário e pesquisador (...); tal espaço físico reúne, em forma de arquitetura e escultura, todos os elementos do Movimento Armorial: onças aladas, pássaros exóticos, canhões e armas, entres outros personagens que fazem parte do imaginário da cultura popular nordestina. O castelo conta atualmente com 1.500 metros de área construída e uma altura equivalente a um prédio de seis andares, totalmente financiado com recursos próprios. São quatro torres, duas delas na parte de trás da construção, representando os cristão e os mouros, uma referência direta das Cruzadas, no período medieval. À frente do castelo há uma torre central que representa o ‘Reino Encantado de Dom Sebastião’,  tendo como figura principal o ‘Rei Quaderma’ ou ‘ Rei Vaqueiro’, da obra de Ariano Suassuna. No último andar estão instalados vários cenários, entre eles uma casa de farinha, bodega, cabaré, cartório, escola, barbeiro, sapateiro, casa de taipa e outros elementos que compunham a vida de uma cidade pequena no inicio do século passado[i]”.
Localização do Município, no território de Pernambuco. Imagem copiada de: www.wikiwand.com
Cavaleiros e damas; pedras ao fundo. Foto retirada de: blogdoraniellybatista.com



[1] Disponível em: http://www.saojosedobelmonte.pe.gov.br/p/cidade Acesso em set. de 2015.
[2] Disponível em: http://www.saojosedobelmonte.pe.gov.br/p/pedra_do_reino Acesso em set. de 2015.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Fichamento: O que é Trabalho? de Suzana Albornoz

ALBORNOZ, Suzana. O que é Trabalho. 6. ed. São Paulo. Editora Brasiliense. (Coleção Primeiros Passos).


Disponível em: palavraria.wordpress.com
O que a palavra trabalho significa

  • O trabalho humano é uma atividade determinada e transformadora, mas, muitas vezes, penosa e, contudo necessária. 
  • “Às vezes carregada de emoção, lembra dor, tortura, suor no rosto, fadiga. Noutras mais que aflição e fardo, designa a operação humana de transformação da matéria natural em objeto de cultura”. (p. 8) 
  • “É o homem em ação para sobreviver e realizar-se, criando instrumentos e com esses, todo um novo universo cujas vinculações com a natureza, embora inegáveis, se tornem opacas”. (Idem).
  • Outros significados particulares do trabalho: O esforço aplicado à produção de utilidades ou obras de arte; conjunto de discussões e deliberações de uma sociedade ou assembleia convocada para interesse público, particular ou coletivo. 
  • Assim como pode indicar o processo de nascimento de uma criança. 
  • “O trabalho em português e no plural quer dizer preocupações, desgostos e aflições. É o conteúdo que predomina em Labor, mas ainda está presente em trabalho”. (p. 10) 
  • “Em nossa língua a palavra trabalho se origina do Latim Tripalium, embora outras hipóteses a associem a Trabaculum”. (idem).
  • Para certos tipos de trabalho o esforço será preferencialmente físico; para outros, estritamente intelectual. 
  • “O trabalho do homem aparece cada vez mais nítido quanto mais clara for a intenção e a direção do seu esforço”. (p. 11) 
  • Trabalho, além de esforço é também o seu resultado. 
  • O que distingue o trabalho humano do dos animais é a existência da consciência e da intencionalidade, típica do primeiro. 
  • Para Max Scheler: Três sentidos de trabalho: “de uma atividade humana, às vezes também animal ou mecânica; o produto coisificado de uma atividade e tarefa ou fim apenas imaginado”. (p. 13) 
  • Em Sociologia: quase sempre está inserido no contexto da divisão social do trabalho. 
  • “Os estudiosos supõem que a história da palavra trabalho se refere à passagem da pré-histórica da cultura da caça e da pesca para a cultura agrária baseada na criação de animais e plantio”. “Já a significação de hoje é dada ao trabalho se refere à passagem moderna da cultura agrária para a industrial”. (p. 14)

O que o trabalho tem sido

  • Nas comunidades isoladas o trabalho serve apenas para garantir a subsistência de maneira indireta. 
  • “Com o estágio consecutivo ao das economias isoladas, temos o tempo em que os homens inventaram ou descobriram a agricultura”. (p. 16) 
  • No trabalho primitivo: as mulheres plantam, os homens caçam. 
  • Desde o desenvolvimento da agricultura, a engenhosidade humana já perturba o equilíbrio natural. 
  • Nos primeiros atos de barganhar a propriedade privada: “Reivindicarei a posse ou o direito de domínio e determinação sobre o produto deste pedaço de terra que cultivei”. 
  • “Um fato relacionado com esta evolução da propriedade e de sua separação do trabalho foi a prática da guerra”. (p. 19) 
  • As linhas gerais das relações econômicas foram sempre semelhantes: o excedente mantinha a elite militar e sustentava a classe ociosa. 
  • Foi da primitiva troca em espécies que se passou para o comércio mediado pela moeda. 
  • Entre as características da época moderna estão: “a performance histórica da classe burguesa em seu momento criativo;  a aplicação da ciência para o aumento da produção material; conhecimentos das ciências humanas e especialmente da psicologia para o controle social”. (p. 21) 
  • “Os lucros desta iniciativa a burguesia ainda vem recolhendo hoje”. (idem) 
  • Estágios de desenvolvimento da tecnologia: a invenção da máquina a vapor (séc. XVIII); o uso da eletricidade (séc. XIX); e a automação que representa o estágio mais recente (Revolução Industrial do século XX). 
  • A própria transformação humana sofreu com os processos desencadeados pelo mercado.
  •  “A tecnologia se expande; se nem sempre para melhor, acumula experiência e possibilidade”. (p. 23) 
  • “O advento da automação coloca a possibilidade de uma humanidade liberta do fardo do trabalho”. (p. idem)

O que o trabalho está sendo

  • “O trabalho hoje é um esforço planejado e coletivo, no contexto do mundo industrial, na era da automação”. (p. 25) 
  • “O capitalismo monopolista da segunda metade do século vinte invadiu as regiões aparentemente marginais do terceiro mundo”. (Idem) 
  • Portanto, estamos na época das organizações multinacionais. 
  • Dentre as consequências da industrialização podemos citar o crescimento demográfico e a crescente urbanização. 
  • “A corrida para as cidades se explica em parte pela natureza do trabalho industrial”. (p. 26/27) 
  • “O homem do campo se dirige para a cidade em busca de emprego nesta produção moderna, que lhe acena com promessas de um serviço menos arriscado e dependente da natureza do que o labor do campo, e com possibilidades de usufruir do bem-estar que as cidades se vangloriam de possuir, embora não o ofereçam a todos”. (p. 27) 
  • Porém, o crescimento das cidades também é fator das migrações. 
  • “A separação entre os lugares de trabalho e de moradia, não é a única separação que caracteriza o trabalho atual. Na linha de montagem, na fábrica, como nos corredores e seções especializadas dos labirintos burocráticos, separam-se as partes do processo de produção de um objeto, de um projeto”. (p. 34) 
  • Na verdade, produtor e produto estão separados. 
  • Ele produz para um mercado anônimo. 
  • “A alienação objetiva do homem do produto e do processo de seu trabalho é uma consequência da organização legal do capitalismo moderno e desta divisão social do trabalho”. (p. 35/36) 
  • “A relação alienado do homem com seu trabalho  e produto gera uma relação correspondente do capitalista com o trabalho, que é a propriedade privada. Esta deriva, é resultado da alienação do trabalho”. (p. 36) 
  • "Renda, status e poder substituem a preocupação e o cuidado de fazer bem alguma coisa que se sabe fazer”. (p. 37) 
  • Hoje, o trabalho é uma espécie de negativa daquele artesanal, é o oposto. 
  • “A força de trabalho é dada como uma mercadoria. Do esforço do operário é extraído um valor que deixa uma sobra aos interesses do capital, pois o salário do operário fica muito aquém do valor que ele cria para o mercado”. (p. 40) 
  • “Tem-se como utopia, no sentido de impossível, que o trabalho seja expressão, ou que se possa ter um trabalho criativo e que dê prazer”. (p. 41)

Do que se tem pensado sobre o trabalho

  • “O que dá ao trabalho da terra aquele seu valor e prestígio originais é que para os gregos ele estabelece um elo com a divindade”. (p. 44) 
  • Marx diz que: “praxis é uma ação transformadora que se dá através do trabalho consciente que é diferente de trabalho alienado”. (p. 46) 
  • Labor é, portanto, o trabalho do homem pela sobrevivência. 
  • “Ainda na Renascença, entretanto, aparece uma outra visão de trabalho, que talvez tenha influenciado indiretamente as sínteses do Protestantismo, enquanto ambas se ligam à afirmação da burguesia, à noção de liberdade e a ideia de indivíduo”. (p. 58) 
  • Nesta época somam-se as ideias cristãs às greco-romanas e acabam por influenciar até os dias de hoje. 
  • “Naquela exuberante época de mudanças, o trabalho foi concebido por alguns como um estímulo para o desenvolvimento do homem, e não como um obstáculo (...) O trabalho é a melhor maneira de preencher a vida”. (Idem) 
  • “A satisfação do trabalho não decorre da renda, nem da salvação, sequer do status ou do poder sobre outras pessoas, mas do processo técnico inerente”. (p. 59) 
  • "O século XVIII, trás a ideia de homem se afirmar por dois caminhos – teórico e prático – que se uniram na técnica”. (p. 60) 
  • “Rousseau foi o primeiro a relacionar a transformação da natureza com a transformação do homem”. (Idem) Ele antecipa as ideias que aparecerão mais tarde com Marx. 
  • Já Adam Smith e David Ricardo veem no trabalho humano a fonte de toda a riqueza social e de todo valor. 
  • Porém os economistas viram o trabalho humano apenas por sua utilidade exterior e não por seu entrosamento com o ser humano – produtor. 
  • “Práxis, no sentido Marxista corresponde talvez mais aproximadamente aos poiesis grego: atividade produtiva, fabricação. Pelo menos, elabora uma síntese da poiesis e práxis no sentido tradicional”. (p. 61/62) 
  • Para G. W. F. Hegel expressa uma concepção nova do trabalho humano: “é uma relação peculiar entre os homens e os objetos, na qual se unem o subjetivo e o objetivo, o particular e o geral, através do instrumento, a ferramenta”. (p. 62) 
  • Então, para ele, o trabalho é um processo de transformação. 
  • “A produção do objeto pelo homem é ao mesmo tempo um processo de autoprodução do homem. No que produz, o homem se reconhece e é reconhecido; e reconhece a relação social, de dominação”. (p. 63) 
  • Hegel, portanto, destaca a fase da autoconsciência: que só se satisfaz em outra autoconsciência.Porém, “o reconhecimento mútuo pressupõe uma exclusão mútua”. (p. 64)O trabalho (para o escravo) é servidão, dependência em relação ao senhor. “O subjetivo se torna objetivo no produto. E desse modo cria um mundo próprio”. (p. 66) 
  • Para Hegel, pois, fica evidente o aspecto positivo do trabalho, por que ao formar coisas, forma e forja o próprio homem (...) Então Hegel ignora a alienação do trabalhador na economia moderna”. (p. 67) 
  • Já para Marx, “a essência do ser humano está no trabalho”, mas para isso é preciso que não haja a alienação que disponibiliza a mais-valia para o capitalista. 
  • Entretanto, nos dois é possível perceber que têm em comum a ideia de que o trabalho seria o fator de mediação entre o ser humano e a natureza. 
  • O homem diferencia-se do animal por que, antes mesmo de realizar algo concretamente, já foi capaz de construí-lo mentalmente. 
  • Em Marx a alienação ocorre da seguinte maneira: “sem ser dono do projeto do que produz, o homem apenas se agita como as formigas no formigueiro”. (p. 71). Não há, portanto a autenticidade, ocorre uma alienação ferrenha.
  • Fourier vê no trabalho a possibilidade de torná-lo prazeroso e sem a existência de repugnância.
  • “Num sentido Marx se afasta de Fourier. Para Marx e o Marxismo, o trabalho pertence ao reino da necessidade”. (Idem)
  • “Ainda hoje nos defrontamos com a ideologia do trabalho e seus adeptos na sociedade burguesa”. (p. 72)
  • A tecnologia procura buscar que no trabalho ocorra uma máxima eficiência com esforço reduzido, porém conserva a ideia de maximizar a riqueza e os lucros do capitalismo.
  • Na verdade, para a maioria dos empregados “o trabalho tem certo caráter desagradável”.
  • “A nova classe média, constituída de assalariados e burocratas, jamais foi profundamente atingida pela ética burguesa do trabalho”. (p. 74)
  • “Os novos controles sociais criam nas massas, através da propaganda vinculada pelos meios de comunicação, uma carência irresistível para a produção e o consumo supérfluo”. (p. 75) 
  • Já segundo H. Marcuse, “o trabalho não seria apenas alienado no mundo de hoje, mas alienante”. (Idem)

O que o trabalho não é

  • “O serviço doméstico se torna o plano onde se acentua a superexploração das mulheres”. (p. 92) 
  • "Os trabalhadores sociais de hoje talvez ainda lutem contra a má consciência de fazer caridade por pagamento”. (p. 93) Aqui se inserem os assistentes sociais. 
  • “Quando se pensa que os desempregados o são porque não desejam trabalhar, o sistema aperfeiçoa as formas de repressão à vadiagem, por leis repressivas ao próprio desemprego. Quando se percebe que os desempregados são involuntários, e que os que poderiam dar emprego não os fazem, então, as estratégias de combate ao desemprego e as políticas são outras: ou se procuram criar novos empregos pela expansão das obras públicas e outras atividades; ou se concedem subsídios às empresas privadas, para que possam empregar maior número de trabalhadores; ou se criam colônias, campos de trabalho”. (p. 82) 
  • “O trabalho só é produtivo quando cria valor, mais valor – valor maior do que é consumido, e, portanto, dê lucro a empresa que o realiza”. (p. 84) 
  • “Trabalho doméstico é entendido como o labor da casa, à serviço da família, que se realiza exclusivamente no âmbito privado”. (p. 88) 
  • “O trabalho social vem acompanhado de um certo desprezo por parte de quem faz outro trabalho produtivo no sentido estrito”. (p. 94) 
  • Para Cornelius Castoriadis (filósofo, político e psicanalista greco-francês), “a gestão operária não quer dizer que indivíduos de origem operária sejam nomeados no lugar dos atuais dirigentes, mas sim que a produção, em todos os níveis, seja dirigida pela coletividade dos trabalhadores: operários, empregados e técnicos”. (p. 99) 
  • Emprego: é o trabalho institucionalizado; Trabalho: atividades temporárias. 
  • Assistencialista: medida paliativa sem previsão na lei; Assistencial: medida prevista na lei.

O que o trabalho ainda não é, mas pode ser

  • “Quem cria não tem necessidade de aniquilar outros criadores”. (p. 98) 
  • “A criação pode ser a base de uma vida social mais feliz”. (p. 99) 
  • “A instauração da gestão operária é o que permitirá começar imediatamente a eliminar as contradições fundamentais da produção capitalista. A gestão operária marcará o fim da dominação do trabalho sobre o homem, e o começo da dominação do homem sobre seu trabalho”. (p. 100) 
  • Segundo a autora, todas as pessoas seriam iguais na condição de trabalho. Por outro lado, o Socialismo deve ser dirigido por um Estado Forte, liderado pelos operários. Seria Operários sob Burguesia.
A escritora Suzana Albornoz dá autógrafo em livro.Foto extraída de: palavraria.wordpress.com



[1] Elementar, simples, rudimentar...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Fichamento: As dimensões ético-políticas e teórico-metodológicas no Serviço Social contemporâneo, de Marilda Iamamoto


As dimensões ético-políticas e teórico-metodológicas no Serviço Social contemporâneo – Marilda V. Iamamoto.
 Disponível: <www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto2-2.pdf>
  • Um mundo internacionalizado requer um Estado dócil aos influxos neoliberais, mas ao mesmo tempo forte internamente – ao contrário do que é propalado pelo ideário neoliberal da minimização do Estado – para traduzir essas demandas em políticas nacionais e resistir à oposição e protestos de muitos, comprometendo a soberania das nações (PETRAS apud IAMAMOTO, p. 2).
  • O capital cria as condições históricas necessárias para a generalização de sua lógica de mercantilização universal, submetendo aos seus domínios e objetivos de acumulação o conjunto das relações sociais: a economia, a política, a cultura (p. 2).
  • O caráter conservador do neoliberalismo se expressa, de um lado, na naturalização do ordenamento capitalista e das desigualdades sociais a ele inerentes e tidas como inevitáveis; e de outro, em um retrocesso histórico condensado no desmonte das conquistas sociais acumuladas, resultantes de embates históricos das classes trabalhadoras (p. 2).
  • A intervenção do Estado no atendimento às necessidades sociais é pouco recomendada, transferida ao mercado e à filantropia, como alternativas aos direitos sociais (p. 3).
  • A atual desregulamentação das políticas públicas e dos direitos sociais desloca a atenção à pobreza para a iniciativa privada ou individual; e não à responsabilidade pública do Estado (p. 3);
  • As consequências desta transferência são: a ruptura da universalidade dos direitos e da possibilidade de sua reclamação judicial, a dissolução de continuidade da prestação dos serviços submetidos à decisão privada, aprofundando o traço assistencialista e a regressão dos direitos sociais (p. 3).
  • Permanecem políticas casuísticas e fragmentadas, sem regras estáveis e operando em redes públicas obsoletas e deterioradas (p. 3).
  • A cena contemporânea reclama: a perseguição de um novo, que é o compromisso com a prevalência do debate público e da participação democrática, que abra caminhos para os cidadãos organizados interferirem e deliberarem nas questões de interesse coletivo, na busca de consensos possíveis para resolver os conflitos, organizar e viver a vida (p. 5).
  • Na contramão dos dogmas oficiais, o serviço social latino-americano está reconstruindo uma face acadêmica, profissional e social renovada; compromisso efetivo com o interesse público, atuando em defesa dos direitos sociais dos cidadãos e sua viabilização junto aos segmentos majoritários da população, centrando-se na questão social (p. 6).
  • Importantes investimentos acadêmico-profissionais foram realizados no sentido de se construir uma nova forma de pensar e fazer o serviço social, orientadas por uma perspectiva teórico-metodológica apoiada na teoria social crítica e em princípios éticos de um humanismo radicalmente histórico, norteadores do projeto de profissão no Brasil (p. 6).
  • Para analisar a profissão como parte das transformações históricas na sociedade, é preciso romper com uma visão endógena da profissão e buscar entender como essas transformações atingem o conteúdo e direcionamento da própria atividade profissional; as condições e relações de trabalho; competências e requisitos da formação do assistente social (p. 7).
  • Essa perspectiva exige alargar os horizontes para o movimento das classes sociais e do Estado em suas relações com a sociedade (p. 7).
  • Fazendo uma análise do serviço social que afirme a centralidade do trabalho na conformação da questão social e dos direitos sociais consubstanciados em políticas sociais universais, em contraposição às alternativas focalizadas e fragmentadas de combate à pobreza e à miséria, que trata as minorias como residuais (p. 8).
  • A prática social está vinculada a uma trama social, a um cabedal de conhecimentos tidos anteriormente (anotações minhas).
  • É preciso que se considere o profissional naturalmente envolvido e vinculado à sociedade, assim como ao usuário, sem retirá-lo da questão social que o envolve (interpretação minha).
  • O neoliberalismo faz com que vejamos esse processo a histórico e focalista, subestimando o rigor teórico-metodológico para a análise da sociedade e da profissão; em favor das visões empiristas, pragmáticas e descritivas da sociedade e do exercício profissional. Mas, a formação profissional deve privilegiar a construção de estratégias, técnicas e formação de habilidades, sendo uma profissão voltada à intervenção social (p. 8/9).
  • Que o assistente social não se torne um mero técnico – delegando a outros (cientistas sociais, filósofos, historiadores, economistas, etc.) - a tarefa de pensar a sociedade. Para isso, deve ter uma formação voltada para fundamentos teórico-metodológicos, elegendo uma perspectiva ética a adquirindo habilidades densas de política (p. 9).
  • Encontra-se na raiz da questão social: o crescimento do capital correspondendo a crescente pauperização relativa do trabalhador (p. 10).
  • A preocupação maior é afirmar a ótica da totalidade na apreensão da dinâmica  da vida social e procurar identificar como o serviço social participa no processo de produção e reprodução das relações sociais (p. 10).
  • Mas o serviço social participa de um movimento que tanto permite a continuidade da sociedade de classes quanto cria as possibilidades de sua transformação (p. 11).
  • Sendo a profissão atravessada por relações de poder, ela dispõe de um caráter essencialmente político, e que não decorre apenas das intenções pessoais do assistente social, mas dos condicionantes histórico-sociais dos contextos em que se inscreve e atua (p 11).
  • O serviço social situa-se no processo de reprodução das relações sociais como uma atividade auxiliar e subsidiária no exercício do controle social e da ideologia, isto é, na criação das bases políticas para a hegemonia das classes fundamentais; contribui para essas mesmas contradições que caracterizam a sociedade capitalista (p. 11).
  • Diante das novas relações contemporâneas, o assistente social é chamado a implementar e viabilizar direitos sociais e os meios de exercê-los, se vê tolhido em suas ações que dependem de recursos, condições e meios de trabalho cada vez mais escassos para as políticas e serviços sociais públicos (p. 16).
  • Na atualidade, as propostas imediatas para enfrentar a questão social, no Brasil, atualizam a articulação assistência focalizada/repressão, com o reforço do braço coercitivo do Estado em detrimento da construção do consenso necessário ao regime democrático, o que é motivo de inquietação (p. 18).
  • O serviço social reproduz-se como uma especialização do trabalho por ser socialmente necessário; na empresa industrial, ele como parte de um trabalhador coletivo, participa de um processo de reprodução da força de trabalho, essencial à produção de riqueza; na esfera estatal participa do processo de redistribuição da mais valia, via fundo público; e ainda se inscreve no campo da defesa e/ou realização de direitos sociais de cidadania, na gestão da coisa pública (p. 22).

[1] Correta;

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Fichamento: História da Riqueza do Homem (capítulos 14 e 15), de Leo Huberman

HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. (Tradução Waltensir Dutra) 21 ed. São Paulo: TC Editora.

Capítulo 14: De Onde Vem o Dinheiro?
Dinheiro que é capital e dinheiro que não é.
O capital e os meios de produção.
Como os Impérios acumulam capital para a indústria moderna.
Novas formas de produção, nova religião.
Disponível em: www.cesforma.org.br
  • “O dinheiro só se torna capital quando é usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de vendê-los novamente, com lucro”. (p. 156)
  • “Quando o dinheiro é empregado num empreendimento ou transação que dá (ou promete dar) lucro, esse dinheiro se transforma em capital”. (p. 157)
  • “É a força de trabalho do operário que o capitalista compra para vender com lucro, mas é evidente que o capitalista não vende a força de trabalho de seu operário. O que ele realmente vende – e com lucro – são as mercadorias que o trabalho do operário transformou de matérias primas em produtos acabados”. (Idem)
  • “Antes da idade capitalista, o capital era acumulado principalmente através do comércio – termo elástico, significando não apenas a troca, mas incluindo também a conquista, pirataria, saque, exploração”. (p. 158)
  • A maioria dos países anteriormente poderosos e ricos havia conquistado seus tesouros a partir do uso da força e da exploração sobre os nativos e/ou os menos desenvolvidos. Portanto, devastavam tudo para encontrarem e acumularem recursos.
  • “Até os negros eram mercadoria muito boa na Holanda, e que podiam ser facilmente obtidos na Costa da Guiné”. (p. 161)
  • O comércio, as conquistas, a pirataria, saque, exploração, tudo isso e muito mais contribuiu para a acumulação de capital há alguns séculos. Estas ações produziam lucros enormes e fantásticos e aumentava a cada vez mais.
  • O texto deixa claro que: “o homem só trabalha para outro quando é obrigado” (...), “pois quando os trabalhadores têm acesso aos seus próprios meios de produção – no caso, a terra – não trabalham para outra pessoa”. (p. 162)
  • Uma vez que, enquanto os trabalhadores podiam usar suas ferramentas para fabricarem por conta própria, eles atendiam as suas necessidades e não se submetiam a outrem.
  • “Somente quando os trabalhadores não são donos da terra e das ferramentas – somente quando foram separados desses meios de produção – é que procuram trabalhar para outra pessoa”. (Idem)
  • Tornaram-se libertos dos Feudos, porém reféns dos novos modos de produção e assim só podiam vender suas forças de trabalho.
  • “O trabalhador com terra tornou-se o trabalhador sem terra – pronto, portanto, a ir para a indústria como assalariado”. (p. 163)
  • “O movimento de arrendamento e fechamento das terras fez com que os novos sem terra se sentissem irritados contra os senhores que lhes roubavam o direito a terra e contra o governo que impunha medidas para expulsa-los das terras (...), mas, não se pense que os donos de terra estavam expulsando os camponeses para proporcionar uma força de trabalho à indústria. (...) Estavam interessados apenas em arrancar maiores lucros da terra”. (p. 164)
  • “Do século XVI até princípios do século XIX, na Inglaterra, o processo de privar o camponês da terra teve continuação (...) e com isso, cidades e indústrias aumentam, por que mais pessoas irão à procura delas. Em busca de lugares e emprego”. (165)
  • “O fechamento foi, portanto, uma das principais formas de obter o necessário suprimento de mão-de-obra para a indústria”. (p. 166)
  • O próprio sistema fabril fez separar o trabalhador dos meios de produção assim como já o havia separado da terra.
  • “Na competição entre trabalho mecanizado e trabalho manual, a máquina tinha de vencer”. (Idem)
  • Na concorrência com a máquina o trabalhador sempre saia perdendo, muitas vezes o artesão precisava vender seu tear e ir em busca de emprego, seguindo a enorme fila daqueles que já haviam feito o mesmo. “Desta forma começou a existir a classe trabalhadora, sem propriedades, que com a acumulação do capital torna-se essencial ao capitalismo industrial” (p. 167).
  • “O mundo dominado pelos comerciantes, fabricantes, banqueiros, exigiu um conjunto de preceitos religiosos diferentes dos do mundo dominado pelos sacerdotes e guerreiros”. (p. 168). Neste sentido é que a Igreja perdeu espaço e o protestantismo serviu perfeitamente as ambições capitalistas.
  • “Tomemos por exemplo os puritanos. Enquanto os legisladores católicos advertiam que o caminho da riqueza podia ser a estrada do inferno, o puritano Baxter dizia a seus seguidores que se não aproveitassem as oportunidades de fazer fortuna, não estariam servindo a Deus”. (Idem)
  • “Em suma, o caminho da riqueza, para quem o deseja, é tão fácil como o caminho do mercado. Depende principalmente, de duas palavras, indústria e frugalidade; ou seja, não desperdice tempo nem dinheiro... aquele que, honestamente, ganha tudo o que pode, e poupa tudo o que pode, certamente se tornará rico”. (p. 169)
  • “Quando o século XIX teve início, ‘economizar e investir’ tornaram-se ao mesmo tempo o dever e o prazer de uma grande classe”. (p. 170)
  • “A acumulação de capital, que veio do comércio primitivo, mais a existência de uma classe de trabalhadores sem propriedades, prenunciavam o início do capitalismo. O sistema fabril em si proporcionou a acumulação de uma riqueza ainda maior”. (Idem)

Capítulo 15: Na Indústria, Agricultura, Transporte.
A máquina a vapor.
O crescimento demográfico.
O novo tipo de vida no século XVIII.
  • A máquina a vapor, surgida (inventada) no século de 1800, pelo Senhor Watt estava em uso em praticamente todas as minas, fundições, cervejarias e usinas. O aparecimento desta e de outras máquinas a vapor, fizeram do sistema fabril um sistema de larga escala, o que representou um tremendo aumento da produção.
  • Também “esse aumento de produção foi em parte provocado pelo capital, abrindo caminho na direção dos lucros. Abertura de mercados das terras recém-descobertas foi uma causa importante desse aumento” (p. 172).
  • Assim como a revolução da indústria, uma revolução agrícola se espalhava por todo o continente europeu e as novas técnicas permitiam manter o gado por menos tempo no pasto, sendo com maior ganho de peso e conseqüentemente aumento do preço do produto. “Experiências para melhorar a qualidade das raças também foram realizadas nessa época” (p. 173). Os próprios instrumentos de trabalho, as ferramentas usadas na agricultura evoluíram bastante, tanto a revolução na indústria e na agricultura foram seguidas pela revolução no mundo dos transportes.
  • Era necessário transporte barato e regular, foi, portanto, “no século XVIII que tiveram início os melhoramentos na construção das estradas, abertura de canais. A revolução dos transportes não só possibilitou a ampliação do mercado interno em todas as direções, como também possibilitou ao mercado mundial tornar-se igual ao mercado interno” (p. 174).

“A Semente que Semeais, Outro Colhe...”
A situação dos trabalhadores durante e depois da revolução industrial do século XIX.
O regime fabril.
O trabalho das crianças.
A revolta contra as máquinas.
Os sindicatos e o voto.
  • Para desvendarmos o que se propõe esse capitulo é necessário nos reportarmos a análise da Revolução Inglesa, onde ocorreu uma verdadeira Revolução Industrial. Ocorreu “uma nova era na história em que um comércio ativo e prospero tornou-se índice não de melhoramento da situação das classes trabalhadoras, mas sim de sua pobreza e degradação” (p. 176).
  • Com a chegada das máquinas e do sistema fabril a divisão entre ricos e pobres tornou-se ainda mais acentuada. Onde quem mais sofreu foram os artesãos, devido a competição das mercadorias lançadas no mercado e feitas pelas máquinas.  “As máquinas, que podiam ter tornado mais leve o trabalho, na realidade o fizeram pior” (Idem). Os dias de trabalho eram cada vez mais longos e divisão de turnos na diária em quase nada adiantou, pois os turnos eram praticamente maiores do que a própria extensão natural.
  • “A dificuldade maior foi adaptar-se à disciplina da fábrica” (p. 178). E os capitalistas davam mais valor a máquina do que ao ser humano, pois esta primeira constituía um investimento, enquanto o segundo era apenas força de trabalho comprada.
  • Os capitalistas buscavam o máximo da força de trabalho e o mínimo de pagamento, além disso, aproveitavam-se dos trabalhos fáceis e baratos das mulheres e crianças. Estas últimas passaram a constituir a base do novo sistema de produção. A vida dos operários agora era outra: “em fábricas, sob a direção de um supervisor cujo emprego dependia da produção que pudesse arrancar de seus pequenos corpos, com horários e condições estabelecidos pelo dono da fábrica, ansioso de lucros” (p. 180).
  • As indústrias mudaram-se para os locais mais próximos das minas e ao se redor constituíram as cidades, como moradias precárias e insalubres, verdadeiras favelas no mundo antigo. Mas, para muitos, estar inserido naquele contexto de exploração ferrenha e desumana ainda constituía um fator de privilegio, garantia-se ao menos a subsistência, por mais precária que fosse.
  • “A Revolução Francesa foi um acontecimento sangrento. Os ricos, na Inglaterra, não gostaram. Odiavam o pensamento de que a horrível idéia francesa de ‘abaixo suas cabeças’ pudesse atravessar o canal e ocorrer também aos pobres ingleses” (p. 183). A idéia de emancipar a pobres e miseráveis nunca agradou a classe poderosa.
  • Quando os trabalhadores pediam redução de carga horária, inúmeros eram os argumentos para não se reduzir, como por exemplo, que isso reduzia também a liberdade natural do homem, inspirados, inclusive no economista da época Adam Smith e sua defesa do Laissez-faire.
  • A máquina era, no entanto, o grande inimigo, que roubava o trabalho dos homens e reduzia o valor de seu esforço, pois reduzia o preço das mercadorias.
  • Os trabalhadores revoltados, partiram para a revolução imatura e irracional, quebraram máquinas e destruíram fábricas e aí os capitalistas e os burgueses, temerosos, recorrem ao Estado, e ele cumprindo seu papel de comitê da burguesia, criou leis (a partir do Parlamento) para punir quem atentasse contra a máquina e/ou as fábricas. Era importante compreender que a máquina não era o mal por excelência, mas também seu dono.
  • E os trabalhadores deram-se conta que precisavam de representantes também no poder, para que pudessem ser defendidos e ouvidos. Eis que veio a idéia do voto, de elegerem representantes e assim tomar certa fatia do poder. A conquista do direito ao voto, representava a conquista de estar mais perto do poder e assim ser capaz de também decidir.
  • O sindicato, que não era nenhuma novidade, tornou-se mais organizado e forte, para junto com os trabalhadores, irem em busca dos objetivos mais necessários e urgentes. Este evolui naturalmente, a partir das associações de jornaleiros.
  • Finalmente, “a organização da classe trabalhadora cresceu com o capitalismo, que produziu a classe, o sentimento de classe e o meio físico de cooperação e comunicação. O sindicalismo é mais forte nos países mais industrializados, onde o sistema fabril levou ao desenvolvimento de grandes cidades” (p. 190). A esganação da classe operária por parte dos burgueses e capitalistas, levou a incorporação de buscar sempre a derrubada da classe exploradora em nome da firmação e da autonomia.
Léo Huberman. Imagem retirada de: boradiscutir.blogspot.com

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