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terça-feira, 25 de julho de 2017

Poesia: Flâmulas destroçadas

As nações são como flâmulas
Ao céu, eretas e a tremular
Não se pode derrocar qualquer bandeira
Somente algumas delas têm alvos para mirar
O que possibilita serem feridas
Bem no meio do coração, ou em sua beira.

E quando um coração é atingido, ou a sua periferia...
Morrem mortais como se peneira o café
Jogando-se acima, os fracos são tomados pela tempestade
Os fortes mantêm-se agarrados ao chão, quase de pé
Muitas vezes um chão, usurpado...
Pela força desmedida, injusta e de ambiguidade!

Mas, como diz no ditado:
Às vezes se mira no que quer
E por meio de planos ideologicamente propensos
Acerta-se o que não quer...
E assim, bandeiras sem alvos nítidos são também crivadas
E a tempestade é a mesma, aquela mesma
O café não é... Pode ser o feijão, o milho, a fava, o andu, cevadas...

É estranho, pois não se derramam lágrimas
Quando o vento arrasa, do oriente, os grãos
Todos os dias, flâmulas são metralhadas, arrastadas, rasgadas...
Quando não, derrubam-lhe os esteios, tiram-lhe as raízes, com as mãos
Por que só há choro, velas e flores ao ocidente?
Que tem seus grãos de especial?
O que difere um povo de outra gente?

JaloNunes.
Imagem copiada de: Jornal O Globo